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06/03/2017 18:20

Agricultores familiares recebem 32 mil mudas de café clonal em Nova Bandeirantes

O cultivo do café é considerado a segunda economia do município de Nova Bandeirantes (1.026 km ao Norte de Cuiabá). Uma área de 1.200 hectares abriga as variedades Conilon (Coffea Canephora) e clones de Robusta (Coffea canephora). O engenheiro agrônomo da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Thiago Tombini, fala que os agricultores estão otimistas com a alta no preço do café.

Do início da safra passada até dezembro de 2016, o valor da saca subiu mais de 20% e, de olho no mercado, muitos produtores do município estão ampliando a área cultivada. Na safra de 2016/2017, a saca do café (60 quilos) atingiu o preço de R$ 430,00. O preço de mais de R$ 7,00 do quilo do café fez com que muitos produtores migrassem para a atividade cafeeira.

Nos últimos meses, a Empaer realizou um diagnóstico com o objetivo de caracterizar a situação atual e o nível tecnológico do setor de produção e comercialização no município, além de aprimorar os arranjos institucionais, aproximando o agricultor familiar da assistência técnica e extensão rural por meio de cursos e dias de campo. O município de Nova Bandeirantes faz parte da “Rota do Café”, com alta produção de grãos e potencial de crescimento da atividade.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários (Seaf-MT) e a Empaer, com apoio das prefeituras, está implantando em Mato Grosso a produção de café clonal, uma técnica desenvolvida pela Embrapa de Rondônia. A técnica consiste na reprodução da planta de café, conservando todas as características produtivas, como resistência ou tolerância ao ataque de pragas e doenças, o que facilita a formação de lavouras homogêneas de alta produtividade.

Com o objetivo de fomentar e fortalecer a cadeia produtiva do café como alternativa sustentável de geração de renda para conter o desmatamento, já foram distribuídas 32 mil mudas de café clonal. “Caracterizamos a cafeicultura como uma prática de proteção ambiental, nosso município situa-se na zona onde é verificado um intenso processo de incorporação de novas terras na estrutura fundiária conhecida como ‘arco do desmatamento’. A inserção desse trabalho visa à proteção ambiental e cumprir normas ambientais relativas à preservação e recuperação de áreas para a cultura do café”, destaca Thiago Tombini.

O principal papel do projeto no município é o fortalecimento da cadeia produtiva do café, com renovação e modernização gradativa das lavouras por meio de novos cultivares. As mudas estão sendo feitas pela prefeitura, com a técnica de clonagem, e algumas já estão no campo e direcionam um aumento de produção já no segundo ano após o plantio. No levantamento feito pelo engenheiro agrônomo Thiago, a produtividade média era no máximo de oito sacas por/ hectare em 2015, e com a melhora dos tratos culturais e agronômicos, ou seja, correção e manejo da lavoura, foi ampliada para 12 sacas por/hectare em 2016.

Segundo Tombini, com o apoio do Pró-café (Programa de Revitalização da Cafeicultura no Estado de Mato Grosso), a expectativa é renovar o parque cafeeiro municipal na ordem de 10% ao ano e um incremento da produtividade média de 12 para 20 sacas por hectare com a inserção de novos materiais. O produtor Frederico Godoy, proprietário do Sítio Campina da Lagoa, possui uma área de mais de 50 hectares e iniciou o cultivo do café no final dos anos 70.

Desde então, possui o cultivo de mais de 6 mil pés de café das variedades Conilon e Robusta. Em 2016, o produtor colheu 6 mil quilos de café e vendeu por R$ 8,00 o quilo, tendo um lucro de R$ 48 mil. “O cultivo do café é a melhor alternativa de renda para os agricultores familiares”, enfatiza Godoy. A colheita do café começa em maio, mas muitos produtores esperam até novembro para venderem, como é o caso de Frederico que, na última safra, firmou contrato e conseguiu ótimos preços, segundo ele. Além das variedades de qualidade, o produtor enfatiza que para garantir a produção o ano todo é necessária a implantação da irrigação no cafezal. “Com isso, teremos boas safras e alta produtividade”, explica o produtor.

O programa pretende atender 50 produtores do município. Nesse primeiro momento, 30 produtores já estão com as mudas no campo e iniciando os tratos culturais como adubação e práticas de cultivo.

Rosana Persona | Empaer-MT


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Jose Lucio Junqueira Caldas
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