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22/05/2017 14:51 José Vieira do Nascimento - Jornal MT Norte

Alta Floresta caminha para se consolidar como o principal celeiro de produção de grãos do Centro Oeste.

Na previsão de especialistas do setor de agronegócio, isto deve acontecer no prazo de 3 a 5 anos, considerando a ampliação da área plantada de uma safra para a outra. Da safra de 2015\2016 para 2016\ 2017, o crescimento foi de 45%. São 18 mil hectares com uma previsão de produzir 53 mil toneladas de soja, com base na excelente produção de 55 sacos por hectares.

A produção de Alta Floresta, de 2,5 milhão de sacas de 60 quilos, é suficiente para encher 1. 256 carretas de 9 eixos. E por porquê ocorreu esta transformação? A resposta e do produtor rural e empresário do setor de armazenagens, Chico Gamba. Segundo ele, com a pavimentação da BR-163 ocorreu um inversão na logística. Alta Floresta, que antes estava no final da rota, passou a ocupar um espaço privilegiado, ficando mais perto dos portos de Santarém e Miritituba, do queLucas e Sorriso.

Partindo por Nova Santa Helena, Alta Floresta está a 1.370 quilômetros de Santarém e 1.030 de Miritituba. No entanto, com a previsão de asfalto na rodovia MT 419 [e a construção da ponte no rio Teles Pires], a distância encurtaria para 900 quilômetros de Mirititubae 1,2 mil quilômetros de Santarém. Antes, os portos estavam 2.800 quilômetros distante do município. “Para nossa região, estas obras são fundamentais. Mas com a produção em alta escala que está acontecendo, ninguém consegue segurar estas obras. Elas irão acontecer, assim como a conclusão do asfalto na BR 163.

O escoamento da produção por esta rota é mais viável e deixou a região de Alta Floresta mais perto dos portos”, enfatiza Gamba. Estar mais próxima dos portos não é a única vantagem que eleva Alta Floresta a uma posição estratégica. De acordo com Chico Gamba, 10 % dos insumos [fertilizantes] veem de Santarém, através da BR-163 e chegam mais baratos em Alta Floresta.

E a tendência é os preços dos produtos ficarem ainda mais em conta porque a empresa, Campo Rico, que hoje transporta fertilizantes de Santarém para Mato Grosso, vai montar uma misturadora de adubos em Guarantã do Norte. A inversão na logística de transporte de grãos, despertou o interesse de produtores de diversos estados pelas terras de Alta Floresta. Muitas negociações estão acontecendo, com grandes e médios produtores adquirindo propriedades na região, para plantar soja, milho e arroz. Conforme Chico Gamba, acrescida a vantagem de ter o modal de transporte favorável, o clima de Alta Floresta é mais regular [com chuvas na época certa do plantio] dos que as regiões de Lucas, Mutum e Sorriso.

E são mais férteis. “Nas aberturas de áreas [1º colheita] quando a terra ainda não está bem corrigida, nossa média de produção é de 52 sacas por hectares, enquanto no serrado a média é de 28 a 30. Aqui em Alta Floresta, a partir do segundo de plantio colhe-se 60 sacas por hectare”, explica. Rodovias municipais-Todavia, o avanço da produção ainda esbarra em problemas estruturais, que, de acordo com o produtor Chico Gamba, precisam ser melhorados.

Segundo ele, os dois maiores problemas enfrentados polos produtores estão relacionados a logística municipal e aos armazéns de Alta Floresta, que ainda não são suficientes para atender os produtores. Sobre as estradas municipais, ele afirma que tem muitos agricultores que não estão plantando soja, milho e arroz, porque não tendo estradas para levar os maquinários para fazer a colheita e, posteriormente, para fazer o escoamento para os armazéns. “A logística municipal tem que melhorar para o produtor ter acesso à sua propriedade. Tem muitos produtores que estão deixando de plantar porque não tem como escoar a produção. Então, tantos os prefeitos, como o governo estadual e federal, devem fazer suas respectivas partes para que possamos produzir com mais segurança”, esclarece Chico. Sobre o armazenamento, Chico diz que este segmento ainda não é suficiente para atender a demanda de produção.

Hoje, conforme ele, para recebimento de arroz existem apenas os armazéns Rio da Mata em Alta Floresta e Zanetti, em Paranaíta. Para o recebimento de soja o GP Agroindustrial e o GS, que conseguem atender apenas 50% da demanda, tanto de arroz como de soja. O restante da produção e levado para Sinop ou para esmagadoras em Cuiabá. “Precisa melhorar a parte de recebimento. O produtor tem que secar e armazenar antes de vender. É dos armazéns que a produção sai para os portos de exportação”, frisa Chico.

Pecuária 

A expansão da agricultura não significa que a pecuária vai diminuir de tamanho em Alta Floresta. Com um rebanho de 900 mil animais, Alta Floresta é o terceiro município de Mato Grosso em pecuária de corte. O produtor e pecuarista Valdomiro Ferrarese, explica que a situação em Alta Floresta é favorável para a integração de pecuária com a produção de grãos [lavoura com pastagem]. Ele explica que fazendo a integração, o pecuarista vai ter a produção de milho safrinha para fazer a ração, o que reflete no ganho de qualidade na pecuária.

Por outro lado, o produtor pode fazer plantio de capim na palhada da soja e no período de seca, faz o confinamento. “Nas propriedades de Alta Floresta é possível dividir 50% para a pecuária e 50% para a produção de grãos. A pecuária vai continuar forte e vai melhorar a sua qualidade”, diz o produtor. Para ele, o produtor está investindo em novas tecnologias e a tendência e produzir mais gado e também mais lavoura, aumentando a renda dos produtores.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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