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14/07/2017 18:03 Eduardo Gomes Andrade

Alta Floresta perde um vulto importante de sua história.

Depois de uma longa luta contra um tumor abdominal Eliézio Lopes de Carvalho, o Cabeça, 72 anos, fechou os olhos para sempre no final da tarde desta quinta-feira, 13 de julho. Cabeça foi personagem em dois livros de minha autoria. Em 2014 ganhou destaque no "LIVRO 44". Minha mais recente publicação (2016) "NORTÃO BR-163: 46 ANOS DEPOIS" lhe dedicou espaço no capítulo dedicado a Alta Floresta.

O texto sobre Cabeça - claro - fala sobre ele e contextualiza o município citando seu ontem e o hoje.

Esta postagem tem tem por objetivo divulgar o livro, assunto que dou por encerrado, mas a faço no sentido de reverenciar Cabeça, que sempre me tratou com educação e respeito. Tomo a liberdade de postar uma foto ao lado dele, feita em 2008 pelo meu amigo e colega GERALDO TAVARES. No livro, a fotografia dele é outra.

Abaixo, o texto sobre Cabeça no livro

Conga, Conga, Conga na madrugada

Mais de 20 mil garimpeiros extraíram grande quantidade de ouro na Pista do Cabeça entre 1982 e 85. Quem controlava aquela área de 19 mil hectares era o paraibano Eliézio Lopes de Carvalho, o Cabeça, que recebeu uma grande quantidade do metal como pagamento de sua parte no garimpo e por remédios, gasolina, bebidas, mulheres, alimentos que fornecia aos garimpeiros, além do transporte aéreo que fazia com seus aviões. Cabeça jura que por seus bolsos passaram 12 toneladas.

Os donos das pistas de garimpo no Nortão e Pará faziam chover e acontecer. Cabeça foi um deles e tinha sob seu poder a segurança, saúde, as regras sociais e a economia dos milhares de garimpeiros de todos os cantos do Brasil que viviam a aventura do ouro na sua pista localizada na calha do rio Teles Pires, na Alta Floresta que agora tem 8.976,309 km². À época havia vácuo de segurança e de instituições do Estado, mas isso mudou. O município é sede de comarca de terceira entrância, de uma Vara do Trabalho, da 24ª Zona Eleitoral, comando regional da Polícia Militar, de Delegacia Regional de Polícia Civil, de Perícia Oficial (Politec) e de uma unidade do Corpo de Bombeiros Militar.

A agora desativada Pista do Cabeça ficava a 75 quilômetros de Alta Floresta. À época não havia estrada e o meio de acesso era o avião. Hoje a cidade tem acesso pavimentado a Cuiabá e o Aeroporto Piloto Osvaldo Marques Dias tem a maior pista de Mato Grosso. Transporte aéreo e rodoviário não faltam, mas uma das demandas da região é a Hidrovia Teles Pires-Tapajós, que enfrenta cadeado judicial; esse meio de transporte é permanente bandeira do médico e empresário Mário Nishikawa e de tantos outros sonhadores.

Cabeça promoveu 36 shows nacionais para animar as noitadas dos garimpeiros. Amado Batista, Waldick Soriano, Walter Basso, Nelson Ned, Donizete e Suzamar foram algumas dessas atrações. Dona Maria Odete Brito de Miranda fez show por lá e na madrugada rebolou Conga, Conga, Conga para o anfitrião. Essa senhora é Gretchen, a rainha da preferência nacional. O município passou por grande transformação e seu maior evento popular é a exposição agropecuária e industrial Expoalta.

A economia do ciclo do ouro não mais existe; diversificou-se muito. Alta Floresta é polo regional distribuidor aos municípios em seu entorno, produz café conilon, cacau e soja. Isso mesmo, a leguminosa chinesa que é o pilar econômico de Mato Grosso chegou por lá em 2013 espalhando-se por modestos 5.550 hectares. Acontece que essa tal soja não tem limites e fechou 2016 com uma área três vezes maior. Se o boi não ficar esperto em breve ela engole suas invernadas. A piscicultura se faz presente; e o garimpo de ouro permanece, porém em quantidade bem menor. Sobre ocupação do solo leia o tópico Assentamentos no segundo capítulo e saiba mais sobre um excelente programa complementar da reforma agrária criado pelo florestense Jair Mariano, nascido em Minas Gerais.

O Produto Interno Bruto (PIB) é de R$ 1.040.126.000. O rebanho bovino de mamando a caducando é de 712.874 cabeças. Ao lado da cidade um frigorífico abate e reforça a balança comercial; a extração da madeira continua gerando renda. Em 2016 o município exportou US$ 19.250.420 (FOB) em madeira, carne e ouro bruto para os Estados Unidos, Kong Kong, Egito e outros 34 países. No período importou US$ 42.238 (FOB) em equipamentos para frigoríficos e velas de transmissão produzidos na Espanha e Alemanha. Com essa movimentação seu superávit no ano foi de US$ 19.208.182.

Um dos mais belos cartões-postais de Mato Grosso é o rio Cristalino em Alta Floresta, numa área preservada do parque estadual que leva seu nome. Sobre o parque leia o tópico Preservação no segundo capítulo.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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