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09/12/2017 07:34

Pesquisa aponta Mato Grosso como o campeão na compra de herbicidas

No país que permite uma quantidade máxima de agrotóxicos na água até 5 mil vezes maior do que na Europa, Mato Grosso desponta como o campeão na compra de herbicidas, especialmente, o glifosato, líder brasileiro de vendas. No Estado, no Rio Grande do Sul e no Paraná, o consumo do glifosato é de 9 quilos a 19 quilos por hectare (ha). 


Dados como estes constam no estudo “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, da pesquisadora e professora Larissa Mies Bombardi, do Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP). Preocupante, a pesquisa não só mostra que a população brasileira consome alto índice de agrotóxico, inclusive, os mais perigosos, como traz dados sobre mortes por intoxicações e suicídio no país. Entre 2000 e 2014, o levantamento mostrou que o manuseio dos produtos no Brasil saltou de cerca de 170 mil toneladas para 500 mil, aumento de 194% em 15 anos. 


Um dos dados que chamam a atenção é a contaminação da água. Conforme o estudo, a União Europeia limita a quantidade máxima que pode ser encontrada do herbicida glifosato no liquido potável em 0,1 miligramas por litro. Já, o Brasil permite até 5 mil vezes mais. Mas, os índices encontrados nos alimentos também preocupam. No caso do feijão e da soja, por exemplo, a lei brasileira permite o uso de herbicidas no cultivo em quantidade 400 e 200 vezes superior ao liberado na Europa. "Infelizmente, ainda não é possível banir os agrotóxicos. Por isso, é importante questionar por que o governo brasileiro não usa parâmetros observados no exterior", pontua. 


No país, 504 tipos de agrotóxicos são liberados para uso. Desses, 30% são proibidos na União Europeia, onde é permitido usar até 2 quilos de glifosato por hectare. Já a média brasileira fica entre 5 kg e 9 kg. Entre 2009 e 2014, o consumo subiu 64%, de 118 mil toneladas para 194 mil. Em Mato Grosso, foram 191.439 toneladas entre 2012 e 2014, o correspondente a média anual de 12,23 a 16,69 quilos por hectare. 


O que garante o estudo é que o uso excessivo tem levado a casos de intoxicação dentro e fora do local do trabalho. No Estado, a taxa de intoxicação é de 13,65% a 19,60 por 10 mil habitantes. A estimativa de óbitos é de 1,71 a 2,34 casos por 500 mil indivíduos. Entre 2007 e 2014, foram 20 mortes. 
Já análises feitas com animais mostraram que a exposição ao produto causou câncer de mama, necrose de células e reduziu o tempo de vida dos bichos. Em setembro deste ano, a França anunciou que banirá o glifosato até 2022. 


Ainda de acordo com o levantamento, os trabalhadores rurais são as principais vítimas de contaminação, seguidos por quem vive em regiões próximas às plantações. Mas, há estudos já realizados que mostram que não só a população rural que é intoxicada, mas a população urbana também. 
Sob a orientação do professor Wanderlei Pignati, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi feito um estudo sobre a contaminação de leite materno com agrotóxicos (alguns ficam na gordura do corpo). 


Como resultado, detectou-se que de todas as mulheres pesquisadas, uma amostra importante de mães que estavam amamentando no município de Lucas do Rio Verde (330 quilômetros, ao norte de Cuiabá), tinha agrotóxicos no leite. O detalhe é que nenhuma delas trabalhava na área rural diretamente na agricultura. Apenas uma delas trabalhava na sede de uma fazenda, mas como empregada doméstica. 


Há duas semanas, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), um parecer em que pede o fim de incentivos fiscais a produtos considerados agrotóxicos. A Anvisa informou que "realiza a avaliação toxicológica dos agrotóxicos, antes de os mesmos serem registrados pelo Ministério da Agricultura" e que há uma série de restrições para registros de agrotóxicos no país. 


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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