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08/11/2019 07:51 www.uol.com.br

Produtos orgânicos é mais caro? Depende

Quando se pensa em consumir orgânicos, uma das preocupações recorrentes para a maioria das pessoas é encaixar os produtos livres de agrotóxicos no orçamento. De acordo com o estudo Panorama do Consumo de Orgânicos no Brasil 2019, 75% dos 1.027 entrevistados, oriundos de todas as regiões do Brasil, consideram que produtos orgânicos são mais caros do que os não orgânicos. O levantamento foi publicado em setembro de 2019 pelo Organis (Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável), entidade que reúne empresas, produtores e fornecedores brasileiros do setor.

Só que não precisa ser assim: é possível ter acesso a orgânicos por preços praticamente iguais aos de produtos não orgânicos em supermercados. O segredo está em buscar formas alternativas de compra, como as feiras especializadas e os Grupos de Consumo Responsável (GCR), iniciativas de consumidores que se organizam para manter uma relação direta com os produtores (veja ao final da reportagem um mapa para encontrar a feira ou o GCR mais perto de você).

Uma pesquisa do Instituto Kairós, entidade civil sem fins lucrativos que apoia ações em prol da economia solidária, da agricultura familiar, da agroecologia e da soberania alimentar, mostra a variação de preços dos orgânicos de acordo com o local de compra. Publicado em 2016, o levantamento foi realizado durante um ano em supermercados, feiras convencionais, feiras orgânicas e Grupos de Consumo Responsável em cinco cidades do Brasil — Piracicaba (SP), São Paulo (SP), Salvador (BA), Alta Floresta (MT) e Rio de Janeiro (RJ). O valor médio no supermercado representa mais do que o dobro do preço no GCR.

Comparação de valores:

 

 

 

O que é GCR?

Os Grupos de Consumo Responsável (GCR) são iniciativas de consumidores organizados que se aproximam de produtores e, juntos, propõem comprar produtos de uma forma diferente da que ocorre no mercado tradicional, pois agregam preocupações com as questões sociais, ambientais e de saúde, desde a produção até o consumo. O propósito desses grupos é fomentar o consumo diretamente do produtor, seja simplesmente por meio da aquisição de cestas de alimentos orgânicos ou do financiamento dos produtores. Esse último arranjo é conhecido como Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA). O Instituto Kairos disponibiliza uma série de informações para quem deseja formar um GCR, e o mapa de feiras orgânicas indica onde encontrar o mais próximo.

Orgânicos caros x orgânicos baratos.

O primeiro obstáculo na caminhada em busca do orgânico em conta está justamente no trajeto mais prático: o supermercado. "O supermercado geralmente não compra o alimento orgânico diretamente do produtor, mas de um intermediário. Assim, quem produz é pressionado a baixar o preço para garantir a venda de tudo o que colheu, e o consumidor final banca a margem de lucro dos intermediários e dos supermercados", explica Guilherme Prado, um dos fundadores do Grupo de Consumo Responsável Livres, localizado na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Esse simples fator faz com que a gôndola seja o lugar menos indicado para "colher" orgânicos regularmente.

Feiras de orgânicos, em que os produtores expõem suas mercadorias, ou lojas baseadas em economia solidária, que fazem a intermediação entre produtores e consumidores, costumam ser mais baratas. Nesses espaços comerciais alternativos, como o Instituto Chão e o Instituto Feira Livre, ambos em São Paulo, produtores enviam os itens para serem vendidos e determinam os preços - o valor do que é comercializado é repassado integralmente para eles. Para custear o negócio, esse tipo de comércio sugere que o cliente faça uma contribuição sobre o valor da compra - que costuma variar entre 30% e 35%. A relação é de confiança entre as partes e, caso o cliente não possa contribuir, isso pode ser negociado, com o pagamento de uma taxa menor e até eventual isenção da taxa sugerida.

Já no caso dos Grupos de Consumo Responsável (GCR), uma das grandes sacadas é levar o orgânico até o consumidor em vez de fazê-lo se deslocar até o lugar de compra - não rola aquele olho no olho com feirante, mas a relação cliente-produtor é mais estreita. Seja assinando uma cesta orgânica seja escolhendo o que receber a partir de uma lista de produtos divulgada periodicamente, quem adere ao modelo garante a renda do produtor e a previsibilidade da(s) lavoura(s), evitando desperdícios e otimizando custos..


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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