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10/11/2019 11:34 Assessoria

Cientistas anunciam descoberta de novo gênero e espécie de borboleta na região de Alta Floresta

Revista Brasileira de Entomologia de 2019 anunciou a descoberta de um novo gênero e espécie de borboleta, a Cristalinaia vitoria. Ela pertence à subtribo Euptychiina, um grupo de borboletas pequenas e geralmente pouco chamativas, embora essa tenha um belo padrão de manchas alaranjadas. O artigo científico foi publicado por André Freitas, Thamara Zacca, Eduardo Barbosa e a pesquisadora de doutorado da UNICAMP, Luísa Mota que, desde 2015, investiga espécies de borboletas nas trilhas da Reserva Particular de Patrimônio Natural – RPPN Cristalino, na região de Alta Floresta. A pesquisa foi realizada em parceria com a Fundação Ecológica Cristalino – FEC.

Em sua pesquisa, Luísa buscou investigar como as comunidades de borboletas diferem, ou não, e interagem em diversos tipos de ambientes que existem na área do Cristalino. Os dados coletados serviram para subsidiar a pesquisa:  “Anéis Mimétricos Simpátricos em Lepidoptera – caracterização, estrutura espaço –temporal e estrutura filogenética”. Ainda no mestrado, Luísa investigou a interação das borboletas com as formigas.

Considerado um dos melhores lugares para observar borboletas no Brasil, a RPPN Cristalino, utilizada também para observação de fauna e flora amazônica por ecoturistas que aportam no Cristalino Lodge, têm chamado a atenção de estudiosos, entusiastas e observadores de borboletas, devido à diversidade e abundância desses insetos nessa região do sul da Amazônia. ‘Minha pesquisa de doutorado, ainda em andamento, tem como tema os anéis miméticos das borboletas do Cristalino, ou seja, os grupos de borboletas que tem um padrão de coloração semelhante e que sinaliza, aos predadores, que elas possuem gosto ruim e devem ser evitadas. O ano em que permaneci no Cristalino coletando dados sobre mimetismo também resultou na descoberta de uma nova espécie”, conta a pesquisadora.

O primeiro exemplar conhecido dessa espécie foi uma lagarta que Luísa encontrou por acaso, se alimentando de bambu, “e que criei achando que se tratava de uma das várias Euptychiina que são comuns nos bambuzais da região. Para a minha surpresa, quando o adulto emergiu, era diferente de todas elas, e meu orientador, o Prof. Dr. André Freitas, confirmou que se tratava de uma espécie ainda não descrita. Apesar de intensa procura, apenas mais dois indivíduos foram encontrados, o que sugere que seja rara”, afirma.

Para a descrição da espécie, os doutores Eduardo Barbosa e Thamara Zacca, que já trabalham há anos com esse grupo de borboletas, realizaram análises moleculares e morfológicas dos espécimes coletados. O que descobriram é que, tanto pelos dados do DNA quanto pelas características morfológicas, especialmente da genitália masculina (estrutura muito utilizada para a identificação e delimitação de espécies em borboletas), a espécie não se encaixava em nenhum dos gêneros já conhecidos de Euptychiina. Assim, foi feita a descrição não apenas de uma nova espécie, mas também de um novo gênero de borboletas.

O nome escolhido para o gênero foi Cristalinaia, em referência ao Cristalino, e o nome da espécie foi Cristalinaia vitoria, homenageando Vitoria da Riva, proprietária do Lodge e das RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) Cristalino e presidente da Fundação Ecológica Cristalino, em reconhecimento ao seu trabalho pioneiro de conservação.

Vitória Da Riva, filha do colonizador de Alta Floresta, Ariosto da Riva, afirma ter ficado muito feliz com a descoberta de um novo gênero e espécie de borboleta nas trilhas da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) criada pela empresária em 1990, na margem direita do Rio Cristalino. Foi a primeira unidade de conservação privada da Amazônia mato-grossense. A RPPN Cristalino tem 670 hectares, sendo que outros 30 hectares foram destinados para o empreendimento de ecoturismo Cristalino Lodge que apoia a conservação da área. “Fiquei muito honrada com o nome da espécie da borboleta”, disse.

A observação de borboletas no Cristalino Lodge iniciou no começo dos anos 2000, com os observadores de aves. Em 2003 dois importantes pesquisadores de borboletas, Wanda Dameron e Keith Brown, acompanhados dos guias americanos Will e Gill Carter, estiveram durante 13 dias e catalogaram 1.000 espécies, algumas delas jamais vistas na América do Sul. Um relatório foi feito e encaminhado à Associação Norte-americana de Borboletas que foi utilizado para orientação na implantação de várias trilhas de borboletas na área do hotel Cristalino Lodge.

As borboletas são atração no ecoturismo do Canadá, nos parques dos EUA e na América Central. O especialista em borboletas, John Bank produziu o filme “What’s Going On Here?”mostrando as espécies existentes no Cristalino Lodge. O DVD com áudio em português e inglês, pode ser encontrado para compra no Cine Butterflies. Para ver as pequenas voadoras coloridas não é preciso levantar cedo, elas aparecem em bandos quando o sol está bem quente.

Diversidade de espécies e cores

 Existem cerca de 20.000 espécies no mundo, grande parte está nos ambientes tropicais, especialmente na América tropical. Os Andes Amazônicos têm a maior diversidade de borboletas, mas é em Mato Grosso que os números de espécies identificadas estão despertando interesse de muitos cientistas. Na região das RPPNs Cristalino, na Amazônia Mato-grossense e próximas ao rio Teles Pires,  é estimada mais de mil espécies de borboletas. 

As borboletas têm diferentes cores e tamanhos e apresentam padrões que podem fazer com que elas sejam confundidas com o lugar onde pousam. A regra também vale para aquelas que possuem cores metálicas e brilhantes. Essas características despertam a atenção de colecionadores, pesquisadores e do público leigo. O tempo de vida delas pode ser de um dia ou até de vários meses. Algumas espécies têm um importante papel: atuam como polinizadoras da floresta, ou seja, dispersam o pólen das flores e promovem a reprodução das plantas pela mata.

Os diversos tipos de ambientes que existem na área da RPPN Cristalino, como as matas de terra firme, a floresta semi decídua, igapó, os bambuzais e as clareiras onde geralmente caem árvores, são locais propícios para a proliferação de borboletas.

Coloração

A coloração é um fator importante para as borboletas. “São insetos diurnos, precisam de luz, tem uma visão muito boa e tem pequenas estruturas que cobrem as asas que são chamadas de escamas, e que dão nome para a ordem de borboletas e mariposas, a ordem Lepidoptera. Essas escamas fazem com que elas possam ter qualquer tipo de padrão de coloração. E surgem esses padrões incríveis como a Olho-de-coruja, que tem uma mancha em formato de olho, e a borboleta conhecida como 88, parecendo que foram pintadas. Elas utilizam a coloração em vários aspectos de suas vidas”, explica Luísa Mota.


Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
Alta Floresta - MT
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