Regional

G1 16/09/2020 05:22

Ex-deputado é alvo da PF por falsificar documentos de fazenda em MT

O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg) e ex-deputado federal por Goiás Sandro Mabel foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (15), durante a realização da operação Tokens, que investiga fraudes em certificados digitais de fiscais e gestores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O político tem uma propriedade no município de Canabrava do Norte, em Mato Grosso, e foi alvo de mandado judicial em Goiânia (GO). A Fieg disse que não vai se manifestar sobre a operação. 

O G1 espera retorno da assessoria de Sandro Mabel. A Justiça expediu cinco mandados de prisão para cumprimento em Goiás. De acordo com a Polícia Federal, os alvos são integrantes de dois "núcleos": os falsificadores e os estelionatários.

Eles agiam em um esquema para beneficiar donos de terras - terceiro e último núcleo - embargadas na região chamada de Amazônia Legal. O prejuízo estimado é de R$ 150 milhões.

 

A operação foi deflagrada na manhã desta terça-feira (15). Até a última atualização desta reportagem, a PF ainda não tinha informação se todos os mandados de prisão já haviam sido cumpridos.

De acordo com a corporação, os agentes executam quatro ordens de prisão em Goiânia e uma em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. No estado, ainda são cumpridos 10 dos 48 mandados de busca e apreensão - na capital (8), Aparecida de Goiânia (1) e Caldas Novas (1), no sul do estado.

Também há mandados sendo cumpridos nos seguintes estados: Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal. Os nomes dos alvos não foram divulgados.

Segundo a PF, os presos tinham como função falsificar documentos de verdadeiros servidores do Ibama e, de posse desses, obter certificados digitais (tokens) para desembargar propriedades autuadas e emitir certidões negativas. Essas fraudes, segundo a PF, beneficiavam propriedades rurais no Pará e Mato Grosso.

A corporação explica que essas áreas estão localizadas em regiões “sensíveis” da Amazônia Legal. De acordo com a PF, foram constatados 122 desembargos (desinterdições de propriedade) irregulares em nome 54 pessoas físicas e empresas.

A estimativa é de que a fraude tenha causado um prejuízo de R$ 150 milhões para a União, em multas não pagas e descumprimento de embargos em áreas ambientais. Os envolvidos podem responder por crimes contra o meio ambiente, estelionato, uso de documento falso, alteração de sistemas de dados, descumprimento de ordens de embargos, prevaricação (funcionário público que age por interesse próprio no exercício do cargo) e corrupção. As penas podem chegar a 12 anos, além de multa.


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Jose Lucio Junqueira Caldas
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