Agronegócios

18/06/2021 14:07 Priscilla Silva | Estadão Mato Grosso

Lavoura do futuro exige formação de novos profissionais

Fazendas digitais são uma realidade próxima, mas o mercado de trabalho sofre com gargalo de especialistas capacitados em tecnologia

A instalação da primeira antena de internet 5G em uma fazenda modelo, em Rondonópolis (MT) inaugurou, no Brasil, um processo histórico de conectividade nos campos. Até o fim do ano o governo brasileiro tem como prioridade o leilão dessa nova geração de internet. Isso torna mais próxima à prevalência de equipamentos inteligentes nas fazendas, que requerem habilidades específicas, inaugurando uma nova era de trabalhadores nos campos.

O processo para resolver os problemas da conectividade nos campos já está em andamento. O edital do leilão do 5G já foi aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e está em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A previsão é que a publicação ocorra ainda em 2021.

“Durante muito tempo, o agro funcionou de forma pujante sem tecnologia ou com pouca tecnologia. E agora, com a chegada do 5G, a gente vai conseguir mostrar realmente ao mundo o nosso poder, o poder do agro”, destacou Fábio Faria, ministro das Comunicações, durante lançamento do estudo que mostra o cenário da conectividade no setor.

O avanço previsto pelo governo é apenas uma parte do processo de reestruturação do setor no país. A concretização dessa realidade só será possível com a ajuda de profissionais qualificados para realizar as operações.

“Hoje já temos uma dificuldade de contratação, pois muitos não sabem o mínimo de internet. Muitas pessoas vêm para Mato Grosso sem ter ideia do maquinário que irão operar, então ou perdem a vaga, ou o produtor, quando mais paciente, tenta integrá-lo, mostrando como funciona essa agricultura de precisão em nosso estado”, aponta Adryeli Costa, advogada especialista em Direito do Agronegócio.

Com a entrada de novas tecnologias, essa falta de profissionais qualificados pode se agravar nos próximos anos. “Além de saber como lidar com um maquinário totalmente computadorizado, com a 5G, esse profissional tem que saber como gerar e encaminhar relatórios, entender como funciona toda a integração do sistema. Isso, para muitas pessoas que vivem do campo ainda é uma realidade muito distante, o que exige uma formação para entrarmos na nova era da fazenda 100% digital”, avalia Adryeli.

A demanda por profissionais de tecnologia da informação e comunicação (TIC) nos campos deverá concorrer com o que já é realidade na cidade. Conforme o relatório setorial da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), se não houver mudanças no país, haverá um déficit de 260 mil profissionais até 2024.

Segundo a entidade, há condições para dobrar a receita bruta por meio de políticas públicas consistentes, atingindo uma demanda de 329 mil novos profissionais em software e serviços.

“Estes números despertam para a necessidade de formação de mão de obra qualificada em curto prazo. Hoje o Brasil forma 46 mil pessoas com perfil tecnológico por ano, com relativo descasamento geográfico entre oferta e demanda de mão-de-obra”, descreve o documento.

Profissionais capacitados

A demanda por esses profissionais em Mato Grosso deve crescer nos próximos cinco anos. Para dar conta desse futuro, Mauricio Nicocelli Netto, da empresa Monagri Consultoria, fala da união de esforços entre instituições de ensino e, principalmente, dos trabalhadores.

“Hoje o Brasil tem 330 faculdades de agronomia e muitas não tem disciplinas especiais na agricultura digital 4.0. Esses profissionais estão sendo formados no campo e cursos online. Às vezes, também é falta de vontade dos próprios profissionais de buscar esse conhecimento. Temos uma demanda muito grande por engenheiros agrícolas e zootecnistas com conhecimentos em tecnologia e quem dominar essa habilidade sairá na frente”.

A remuneração média do subsetor de Software e Serviços de TI é a maior dentre as pesquisadas pela Brasscom (indústria de transformação, comércio e serviços) e 2,9 vezes superior ao salário médio nacional. Em 2020, a média nacional era de R$ 1.945 enquanto o salário médio dos profissionais de TI girava em torno de R$ 5.628.

Conforme a entidade, diferentes públicos apresentam diferentes demandas por conectividade, bem como capacidade de utilização de serviços proporcionados pela internet. Recentemente há um grande movimento do setor agrícola mais tecnificado pelo uso de IoT (Internet das Coisas, do inglês Internet of Things) nas diversas fases do processo produtivo.

“Investir na carreira vale muito a pena. A área que mais tem demandado profissionais é a da TI, como segurança de dados, automação e internet das coisas. Os profissionais hoje estão cada vez mais multidisciplinares. Há necessidade por inovação. Não basta só saber como executar, é importante saber o impacto disso no mercado, entender as diversas frentes do negócio e a 5G vai ser um boom para o campo”, pondera Léo Stefan, Ceo na empresa L2 INNOVA.

Segundo o estudo feito pelo governo federal, se o Brasil conseguisse atingir 50% de cobertura de conectividade no setor hoje, haveria um aumento de 4,5% no valor bruto da produção agropecuária brasileira, o que geraria um adicional de cerca de R$ 47 bilhões na economia do país.


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