Regional

03/09/2021 13:34 Gazeta Digital

CUIABÁ: Por dano ao meio ambiente, corpos podem ser removidos de cemitério no Sucuri

Cavalos e bois pastando, balanços de pneu pendurados no quintal e pessoas sentadas na calçada conversando. É neste cenário bucólico que a comunidade do Distrito do Sucuri decidiu, há mais de cem anos, enterrar seus familiares. Entretanto, o descanso eterno dos que já foram parece que vai ser perturbado, já que o Ministério Público de Mato Grosso(MP) requereu que os corpos do cemitério do Sucuri, em Cuiabá, sejam enterrados em outro local.


Na ação civil pública, assinada pela promotora Ana Luiza Peterlini, o cemitério, além de não ter licença ambiental, está trazendo prejuízos para o meio ambiente. Perto do rio Cuiabá e outros córregos, o necrochorume polui o solo, ar e água, causando danos inclusive aos moradores da região.


“O necrochorume produzido pelos cadáveres acaba se misturando ao solo e às águas do lençol freático, causando poluição e riscos à saúde dos cidadãos que utilizam essas águas para consumo humano ou, ainda, dessedentação animal”, diz trecho da ação.

O coveiro Jeferson Ribeiro tinha acabado de enterrar um homem de 30 anos. Ele não tem parentes no local, mas afirma que a comunidade poderá ficar revoltada caso os corpos sejam transladados. Ele relembra que quando era criança já costumava a frequentar o cemitério, pois ajudava nos velórios. Além disso, o local tem todo um valor sentimental, pois familiares costumam visitar os túmulos e fazer homenagens quase toda semana.

No Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, há uma grande confraternização, que mobiliza todo o distrito.


“Aqui nesse pedacinho é muita família [enterrada]. No Dia de Finados o pessoal arruma até tendas aqui, pra receber os familiares. Graças a Deus eu não tenho ninguém da minha família enterrado aqui ainda, mas eu acho, do meu ponto de vista, que deveria ficar aqui mesmo, pras pessoas visitarem”, afirma.


Ele também explica que o local é constantemente limpo, além de vigiado. “A viatura da polícia vem sempre aqui, pra fazer ronda”, conta.


Para enterrar os corpos, Jeferson recebe a orientação de criar túmulos com cimentos e tijolos, criando uma espécie de catatumba. É proibido enterrar os corpos diretamente no chão. Por isso, ele não entende como o cadáver pode prejudicar o meio ambiente, já que está “selado”.


Eduarda da Cruz tem os avós enterrados no cemitério do Sucuri há mais de 10 anos. Ela também não concorda com o translado dos corpos para outro local. “Se eu tivesse morta já, não ia querer ninguém mexendo comigo”, alerta.


Inclusive, Conceição da Cruz, sentada ao lado de Eduarda, ouve indignada sobre a ação civil pública. “Eu querendo uma vaga lá, e as pessoas agora proibindo!”. O cemitério já está lotado, ou seja, não aceita mais corpos, somente de outros familiares para serem enterrados juntos.


“Eu acho que poderia fechar então, não remover ninguém, mas também não deixar que enterrassem mais”, disse Eduarda. Ela ainda sugere que deveria ser realizada uma audiência na comunidade sobre o translado dos mortos para outro cemitério.


O Ministério Público propõe ainda o prazo de 90 dias para que a Prefeitura de Cuiabá apresente a regularização do cemitério.


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Nativa News

Jose Lucio Junqueira Caldas
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